sábado, 15 de novembro de 2008

Mais Um

Desde ontem uma sensação pervesa destrói o meu peito e um pouco da minha alma. Dia 13/11 um jovem, chamado Bruno, que era educando da Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia foi assassinado no Nordeste de Amaralina. Atualmente esse é um dos fatos que mais se repetem no país inteiro e eu fico a me perguntar quando a máquina mortífera parará, se é que um dia isso pode acontecer.

Eu me sinto triste, indignada, indefesa e creio que todos os adjetivos que eu pusesse nesse texto não iriam descrever a dor e também o desencanto, diante de fatos que destroem a vida de pessoas inocentes, mas que levam os sonhos de famílias inteiras, de amigos, de parentes....

Quantos Brunos ainda morrerão deixando para trás sonhos de uma vida que nunca se completará? Quantas mães terão que enterrar os seus filhos só porque ele estava na "hora errada" voltando para casa? Poderia enumerar mil perguntas desse tipo, mas todas ficariam sem respostas. Sobram apenas o nosso olhar atônito diante de uma realidade que não quer se calar e que se apresenta numa velocidade tal, que é difícil até digerir os acontecimentos.

Eu estou de luto, por tanta violência gratuita e por tanto destempero em uma sociedade que não cuida de seus filhos, que mata por matar, que produz monstros assassinos, que rouba os nossos sonhos de mudar e de transformar. Hoje eu só sinto fraqueza porque o meu pensamento não me deixa imaginar que um dia tudo isso possa acabar.

O que eu espero é que os sobreviventes, dessa guerra sem fim, possam, apesar de todas as dificuldades, transformar o mundo ao seu redor, fazendo com que os seus sonhos possam um dia transformar o descaso de todos nós, que vemos a realidade como se estivéssemos diante de um telejornal.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O que será o amanhã?

Acordei bem, com aquela sensação de que tudo está em seu lugar, mas não estou finalizando o dia de uma forma tranquila, me falta algo, o que será? Nos últimos meses sempre me falta algo e quase sempre eu nunca estou bem por inteiro. Acho isso estranho ou será que o que eu idealizo é estranho?

Tenho me cansado de viver idealizando porque eu não sei esperar e é essa impaciência que toma parte da minha tranquilidade. Às vezes, mas só às vezes, eu gostaria de ser mais normal, de ter gostos mais normais, de querer o que a maioria quer, acho que eu sofreria menos. Mas eu quero fazer o que eu gosto e ganhar dinheiro com isso. Eu quero me apaixonar por alguém que me entenda e que queira está comigo até os últimos dias de sua vida. Sei que assim fica difícil porque nem eu me imagino passando o resto de minha vida com a mesma pessoa, ficaria entediada, mas isso é conversa para um outro dia.

O que não me saiu do pensamento hoje é que a gente passa a vida toda imaginando o que é melhor, quais são as coisas que não podemos deixar de fazer e aí começamos a sonhar. Esses sonhos nos põe perto de pessoas que sonham a mesma coisa, ou sonham muito parecido, e por aí vai: o encontro e o desencontro com a raça humana.

O que eu gostaria era de ser como a maioria, mesmo sabendo que parte do sabor de minha vida estaria perdido. Onde ficariam as noites vividas até a última gota? Onde estariam todas as pessoas que um dia passaram por mim e não mais as encontrarei? E todos os dias vividos intensamente, onde eu os colocaria?

Será que eu sofreria menos ou mais? Ainda não sei. Como palpite, eu acho que se eu seguisse a maioria eu seria sem graça e seca, porque a maioria é assim. E eu não gosto da idéia de ser uma mulher sem graça e seca.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Trabalho

Nos últimos tempos tenho me questionado muito sobre o que significa o trabalho em nossas vidas. Eu sempre prezei trabalhar com o que gosto, com o que me faz feliz, com o que eu terei os resultados que quero. Desde a semana passada tenho observado nas ruas a forma como as pessoas trabalham. Me ponho a pensar se elas estão felizes, se estão de mau humor, se os olhos ainda brilham ao exercerem o ofício...

Todos esses pensamentos surgem porque no momento atual o trabalho me domina. Todos os meus pensamentos e sonhos se concentram no que "eu desejo ser quando crescer". E eu não consigo enxergar trabalho sem ter prazer ao mesmo tempo.

Li uma matéria que dizia que o prazer é o lema da geração atual. Não consiguimos viver sem ter prazer e sem ter pressa para que tudo se resolva logo. Não temos mais tempo para pensar na vida, planejar e simplesmente esperar. O que foge ao nosso controle é visto como fracasso e numa geração que busca o sucesso, o fracasso é um passo mortal.

Hoje passei pela porta do antigo prédio que morei e lá estava o porteiro que há pelos menos 14 anos trabalha lá. Com a mesma felicidade, a mesma disposição, o mesmo brilho no olhar. Daí eu volto a pensar em mim, o que está faltando? Será que é necessário depositar todas as fichas da felicidade na profissão? E em quanto tempo se consegue sucesso?

Questionamentos e mais questionamentos. Mas hoje ao ver Teon, me toquei que a simplicidade e o ato de saber viver cada dia nos faz aceitar a nossa função. Não adianta estarmos no melhor trabalho do mundo, se dentro de nós existe apenas a busca pela felicidade e pelo prazer. Trabalhar significa amadurecer também.

Acho que amanhã terei mais gás para encarar mais um dia de trabalho, torcendo para que as mudanças, que tanto almejo, aconteçam, mas não de forma tão rápida e fugaz para que o efeito dessas mudanças se prologuem no meu ser.

domingo, 12 de outubro de 2008

Hoje é domingo

Hoje é domingo. Acho interessante o domingo ter fama de ser um dia chato, sem graça, que faz as pessoas que estão sozinhas se sentirem carentes, que faz a gente pensar e repensar na vida.

Desde ontem tenho sonhado com pessoas que no momento estão distantes. Sonhei essa noite com amigos que há muito não vejo e com pessoas não tão próximas assim. Acordei com uma sensação boa e de saudade.

Inciei o meu domingo com conversas ao telefone, coisa que eu gosto muito, e falei tanta coisa hoje que quase esgotei os assuntos para o resto do dia. E me lembrei durante as conversas desses sonhos que tive. Parece que a qualquer momento algo acontecerá. Ou será o desejo de que algo aconteça a qualquer momento?

O domingo de hoje me faz querer fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Me faz querer ir embora para um lugar que eu não sei qual é. Sempre tenho esses desejos, de sumir, de ir embora, desde criança, e não sei de onde vem, e o porque sentir isso de tempos em tempos.

Independente de ser domingo, hoje é um dia que tudo ainda estar em aberto.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Encomenda

Encomendei um texto para você, um texto para te dizer tudo o que a minha boca não consegue com palavras.
Para te dizer que sinto saudade, muita saudade, uma saudade que é do tamanho do mundo inteiro.
Para te dizer que gosto ainda, gosto muito, gosto tanto que às vezes penso que isso nunca vai parar.
Para te dizer que acho uma pena todos esses dias distantes, sem notícias, sem você.
Para te dizer que de todos os homens do mundo é com você que eu gostaria de estar.
Para te dizer também que um dia tudo isso vai passar e as lembranças ficarão.
Bonitas lembranças, feias lembranças. Sensações diversas que moram aqui dentro de mim e que fazem parte do que eu sinto por você.
Sentimento que parece não ter fim, que está adormecido mas com vontade de crescer e me dominar outra vez.
E aí eu penso que é besteira não sentir, prender o meu coração de saber do que a paixão de fato é capaz: capaz de matar, de tirar a razão, de destruir mas de renovar, de enfeitar, de visualizar um mundo diferente.
E o que será de nós? Só vivendo para saber que nada será, porque o tempo transforma tudo em pó.

Detalhes

Tenho vivido dias leves e diferentes. Sinto que novas emoções, sentimentos, percepções tomam conta de mim. Estou naquele momento em que se sente a vibração da novidade se aproximando e invadindo a nossa vida.

Tudo o que sonho, desejo e quero se apresenta mais claro nesse momento. Nasce uma certeza de que o mundo se move para me atender, quanta pretensão, mas a sensação é essa mesmo. Sinto que tudo se move para que os meus sonhos se realizem.

Nesses momentos me lembro de todos os momentos em que me vi desesperada por coisas que agora se mostram tão claras, tão vivas. Assim como as apostas outrora realizadas já não valem mais, algumas viraram pó, outras perderam a importância no meio do processo. O que ficou é o que pode ser modificado, mexido, o que está aberto a mudança, a evolução.

Sinto-me feliz. Fecho os olhos e consigo visualizar o mundo que desejo para mim e o que antes era medo, feio, agora se mostra belo e claro. Os dias se tornam mais rápidos, mais dinâmicos, com mais cores, refletindo a vida que clama por mais vida, por mais força, por mais desejo.

E fica a vontade de que esses dias não passem nunca porque como é bom viver de forma leve, plena, bela...

domingo, 28 de setembro de 2008

Mudança

Saí com umas amigas hoje e agora me ponho a pensar em mudança. Engraçado você ver a mudança na vida das pessoas e aí eu me pergunto se eu também estou mudada. A convivência diária não nos deixa perceber as mudanças, sejam elas grandes ou pequenas. É mais fácil perceber que uma mulher grávida ou que vai se casar terá uma mudança significativa em sua vida.

Mas o que dizer de mim? Fiquei vendo minhas fotos de quase 10 anos atrás, falando coisas do passado e não sei se existe uma mudança assim tão evidente, a não ser os quilinhos a mais ganhos com o tempo....

Sei que mudei, não algo perceptível aos olhos dos de fora, como a barriga de uma grávida. Mudei internamente. Hoje sei que sou um ser humano mais calmo porém ainda muito ansioso. Mais confiante mas ainda muito indecisa. Com mais sonhos possíveis e com saudade dos sonhos impossíveis. Mais preocupada com o futuro, sem lembrar muito do passado e vivendo mais controladamente o presente.

Sinto saudade da época em que ainda não havia mudado. Quando o tempo presente era tão importante que apenas o dia de hoje valia a pena viver, o futuro era um lugar distante a ser contemplado. É engraçado mudar, amadurecer. Imediatamente o corpo e alma se sentem presos ao passado mas exige que o novo se endureça no presente.

E nesse exato momento eu tento advinhar o que acontecerá nos próximos 10 anos. Tenho curiosidade de saber se terei a vida que planejo hoje. Talvez não a planejada seja a melhor para ser vivida. O que muito se planeja não dá liberdade para se aceitar o que ficou escondido, no fundo da alma, pedindo um dia para sair, como um pássaro preso numa gaiola.

Quanto mais vivo mais sinto que a mudança chega quando menos imaginamos. Pode ser que ela me visite amanhã.....