domingo, 29 de setembro de 2013

Dos sabores

Saborear as sensações
Saborear a vida
Saborear os dias
Saborear as pessoas
Se saborear.
Passeio pelos sabores do mundo, degustando-os e guardando um pouco de cada um deles para transformar o meu sabor.
Esse sabor que clama por vida, clama por se viver bem, clama pelos desejos da alma.
Dissemino sabores também para deixar um pouco de mim no mundo.
Essa mescla de sabores impulsiona a rotina dos meus dias, me lança a sensações que me trazem vida e que me induz a viver.
Saboreando as delícias e também os amargos se constrói uma história, se constrói uma estrada que me leva a passear e me conduz ao inesperado.
Um inesperado que busca os sabores do mundo com tanta fome que transborda pela boca e corre pelo corpo.




quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Sabe aqueles dias que dá alegria só por estar viva, vivo esse dia hoje. Vivo essa sensação de vida bem vivida, de uma felicidade que não se esgota porque dialoga com outras redes de pessoas felizes.
Sensações mil pulsam em meu corpo e me fazem viajar: pelo conhecido, pelo desconhecido, pelo que ainda conhecerei, pelo que não conheço, pelo mundo.
E junto vem o desejo de viver, só de viver, sem me lembrar de nada mais: de mais gente que há no mundo, de mais sentimentos que existe. A vontade é da entrega, é me entregar e pronto!
E sentir isso depois de tantos meses é me sentir viva, é saber que tudo pode e deve dar certo.
É saber ou sentir que viver é apenas isso, viver, sentir, estar no mundo.
E esse mundo dá tantas voltas que um dia eu quero parar nas voltas que o mundo dá.
E por enquanto sigo meu caminho, num passo às vezes lento, às vezes rápido mas em direção a algo que não sei o que pode ser mas que representa vida bem vivida!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Pensamentos

Nesse momento eu queria tanta coisa e ao mesmo tempo nada. São tantos os desejos e dentro de mim tantas certezas, ou será só um monte de pensamentos positivos? Não sei, mas tem dias que me vejo como em um sonho e a sensação é de estar me vendo viver, o que não é ruim, porém angustiante.

Tantas coisas desejo e as vejo perto de mim, mas sem poder tocá-las e isso trás mais angústia.  É como se eu tivesse certeza de tudo que acontecerá, porém sinto como se tivesse que viver tudo o que tenho vivido ultimamente e me pergunto por quê.  Também tenho a sensação de estar vivendo tudo de novo, como um dejavour, o que trás fascinação e também resistência.

Talvez a coisa mais importante que eu tenha decidido, nos últimos tempos, tenha sido não pensar tanto, não planejar, aceitar e viver. Nessa última semana tiveram dias que me senti tão cheia de sentimentos e tão vazia que não tinha como não me sentir perdida. Não que não saiba o que quero, mas a forma como a realidade se apresenta me balança, me questiona, me empurra para lugares e pessoas que eu só me pergunto o por quê. Não que eu quisesse ou achasse que tudo seria ou é fácil, mas gostaria de ter a sensação de fluidez.
Ao mesmo tempo, não considero que o que tem me acontecido seja ruim, penso só que é um aprendizado, talvez seja a vida me empurrando para refazer planos, repensar os meus sonhos e as minhas necessidades. E o que mais tenho feito é me questionar e questionar, por exemplo, o valor do dinheiro. Todos os meus medos nesse momento tem como plano de fundo o medo do amanhã, o medo da falta de dinheiro, da falta de perspectivas. E me ponho a pensar que a vida é isso, é viver o hoje sem pensar no amanhã porque até podemos pensar, mas nunca teremos a certeza de que esse é o caminho ou de que teremos uma vida confortável durante toda a nossa existência.

Mudar de vida, de lugares, de pessoas é uma experiência que não tenho como descrever em palavras. Quantas vezes eu quis, desejei estar onde estou hoje. Quantos dias e noites sonhei, tive medo, angústia e hoje isso tudo parece que faz parte de outra vida. Penso também que tantas pessoas tenho conhecido com as mesma inquietudes e os mesmos sonhos. Com a mesma felicidade besta de estar fazendo aquilo que o coração e a alma pedem. Às vezes também tem o questionamento, será que é loucura viver fora do programado? Fora do que o sistema pede? Em um mundo que cobra cada vez mais dedicação ao trabalho, ao consumo, talvez seja loucura deixar tudo para realizar sonhos. Deixar o “seguro” para viver o inseguro. Deixar os seus para conhecer os outros. Sair da zona de conforto para viver no mundo, literalmente no mundo.

Tenho dito e pensado que seria ótimo dormir e acordar com a minha vida em ordem e apenas lembrar desse período, não que esteja infeliz, mas um pouco atordoada de tantas sensações (que confesso que eu mesma busco). Questiono-me se quando me planejei previ que o imprevisto podia ser muito mais mental do que material. Sofro menos de adaptação, de saudade, do que das coisas que o dia a dia me apresenta. São tantas coisas a resolver por dia que quando a noite chega, o sono vem mas o corpo não descansa, me sinto em alerta. Sinto-me como um navegante antigo que sai ao mar sem uma única certeza de que voltará, apenas carrega consigo os seus sonhos que também podem ser os sonhos de um mundo inteiro.

Tenho muito a agradecer porque confesso que a vida é por demais boa comigo. A vida sempre me permitiu ver o mundo com cores coloridas, sou redundante porque acredito que não bastam cores, há que ser colorido. Há que mirar um mundo de cores para vivenciar os caminhos do coração. É difícil se entregar ao mundo e a um dia de cada vez. É difícil tentar pensar em um ano depois e não ter certeza de nada. É a roda vida, a roda da vida que às vezes nos brinda com muito mais do que dormir e acordar. E sem ser por demais romântica, eu me sinto em um conto de fadas, daqueles como Alice no país das maravilhas. Daqueles que se tem certeza de que todos os dias acontecem milagres.

Sei que o meu costume de olhar o mundo com olhos curiosos, alegres e positivos faz toda a diferença agora, porque a cada dificuldade o que fica por último são as boas gargalhadas de que mesmo com o fracasso, a beleza da vida continua viva e pulsante. Acredito que a minha vontade de estar viva é tão grande que me faz viva, me faz fluida, me faz transparente e com toda a fé que carrego, mesmo nas horas difíceis, ela se torna fácil. Considero-me uma pessoa de sorte por me permitir crescer com os erros, com os fracassos, com o caos, com as incertezas, com a fome de querer mais e de ser mais. E me ponho a pensar, o que será dessa menina do sertão da Bahia? O que será que essas tantas estradas vão a promover? Porque dentro de mim uma voz me diz que deixe o medo de lado e segure na mão da fé, aquela que remove montanhas, aquela que o povo desse mesmo sertão conhece tão bem, aquela que faz do meu país algo único e por isso cria seres humanos, que mais do que viver, querem uma vida bem vivida, cheia de histórias que quando se conta parece saída de um romance ou de um conto de fadas.

Despeço-me porque de tanto pensar a cabeça se põe vazia, com as dúvidas rondando longe e perto, com algumas insatisfações, mas cheia, repleta de querer bem, de amor, de desejo, de sonhos, de vontade de fazer diferente porque para realizar sonhos é preciso ter coragem de sonhar e de sair de onde se está para se lançar numa aventura que não se sabe aonde vai parar.